Earth Overshoots its Resources for 2026 in:
Texto de Alice Martins Morais, com edição de Luciene Kaxinawá. Foto de capa: divulgação – APIB e COIAB.
19/04/2026 07:00
Este artigo originalmente se encontra neste site: Amazônia Vox : 7 recomendações dos Povos indígenas para um mundo sem combustíveis fósseis
Às vésperas da Primeira Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, que será realizada entre 24 e 29 de abril de 2026 em Santa Marta, na Colômbia, organizações do movimento indígena brasileiro lançaram um conjunto de sete recomendações para orientar um “mapa do caminho” global para além do petróleo, gás e carvão. O documento defende que a transição energética precisa ir além de soluções técnicas e incorporar justiça climática, direitos territoriais e protagonismo indígena como elementos centrais.
A proposta foi construída por entidades como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), e dialoga com a NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) Indígena do Brasil, um documento coletivo elaborado em 2025 em que povos indígenas definem suas próprias metas e propostas climáticas, com o objetivo de influenciar as políticas federais de combate às mudanças climáticas.
A principal demanda no mapa do caminho dos povos indígenas é o reconhecimento da demarcação e da proteção dos territórios indígenas como uma política estruturante de enfrentamento à crise climática. “Sem territórios protegidos, sem direitos garantidos e sem justiça climática, não haverá transição energética capaz de responder à crise em curso”, ressalta o texto.
A iniciativa dialoga com a mobilização da sociedade civil prevista para o encontro na Colômbia, incluindo a Cúpula Popular por um Futuro Livre de Combustíveis Fósseis, que antecede a conferência e busca influenciar as negociações entre mais de 50 países, propondo que direitos territoriais, justiça climática e conhecimentos tradicionais sejam centrais na transição energética.
Confira os 7 passos propostos:
1. Fim da expansão e eliminação dos combustíveis fósseis
O movimento defende interromper imediatamente a abertura de novas áreas de exploração e estabelecer um cronograma global para eliminar progressivamente a produção e o consumo de combustíveis fósseis, alinhado à meta de 1,5°C.
2. Criação de zonas livres de exploração fóssil
Territórios indígenas e biomas estratégicos, como a Amazônia, devem ser reconhecidos como áreas prioritárias de proteção, com proibição total da expansão de atividades fósseis.
3. Direitos indígenas como base da transição energética
A garantia de direitos, incluindo a consulta livre, prévia e informada deve ser condição obrigatória para qualquer política climática, reconhecendo os povos indígenas como protagonistas das soluções.
4. Justiça climática e responsabilidades diferenciadas
Países desenvolvidos devem liderar a eliminação dos combustíveis fósseis, considerando suas responsabilidades históricas e evitando que os custos recaiam sobre países em desenvolvimento.
5. Financiamento climático justo e acessível
O documento propõe ampliar recursos com mecanismos como impostos sobre lucros da indústria fóssil, troca de dívida por ação climática e financiamento direto para comunidades indígenas.
6. Acesso a tecnologias e novos modelos de desenvolvimento
A transição deve garantir acesso equitativo a tecnologias renováveis e valorizar alternativas como a bioeconomia e os conhecimentos tradicionais.
7. Integração entre clima, biodiversidade e territórios
As políticas climáticas devem estar articuladas à proteção da biodiversidade e aos direitos humanos, reconhecendo o papel dos territórios indígenas na estabilidade ecológica global.
Na avaliação do movimento indígena, a transição para além dos combustíveis fósseis é uma “escolha civilizatória”. O documento afirma que não haverá resposta eficaz à crise climática sem a proteção dos territórios indígenas e sem a incorporação de seus conhecimentos e formas de vida nas estratégias globais.
“A demarcação e a proteção das terras indígenas são medidas concretas de enfrentamento à crise climática. Quando o mundo ignora isso, escolhe manter um modelo que destrói a vida. Reconhecer o protagonismo indígena, abre caminho para um futuro mais equilibrado, diverso e verdadeiramente sustentável,” afirma Dinamã Tuxá, coordenador executivo da Apib.
*Esta reportagem usou IA generativa para estruturar as recomendações, considerando padrões de SEO. Em seguida, foi revisada e editada por jornalistas do Amazônia Vox, que estudaram o documento original do movimento indígena.